História de Paraíso do Tocantins

Por volta de setembro de 1958, Adjúlio Balthazar, encarregado da Companhia Nacional, uma das empreiteiras que estava construindo a Rodovia BR-14(atual BR-153 ou Belém-Brasília), estava procurando um local para implantar novo acampamento para o prosseguimento da obra. Chegando próximo à Serra do Estrondo, num local já conhecido como “Pé da Serra”, ele deparou com uma área com excelentes condições: dois córregos com água de qualidade, árvores com boa sombra e clima agradável, requisitos fundamentais para um bom acampamento.

Nesta época ele conheceu Luis Coelho da Silva, D.Praxedia Gomes de Gouveia e os filhos, que moravam desde 1945 às margens do Córrego Buriti e de lá ele pôde contemplar toda a beleza da região. Espontaneamente disse que o local parecia um Paraíso e daí em diante este nome começou a ser usado para designar aquele lugar e pouco tempo depois as pessoas de toda a região se acostumaram com a denominação. A esposa de Adjúlio, Sra. Luzia de Melo Balthazar, quando esteve no acampamento pela primeira vez também se encantou pela natureza exuberante, concordando plenamente com a denominação escolhida.

Nas primeiras semanas o acampamento ficou localizado às margens do Córrego Buriti, próximo à casa de Luis Coêlho, mas logo depois foi transferido para o local na Av Bernardo Sayão, onde hoje está situada a quadra entre as ruas 21 de Abril e 15 de Novembro(onde há pouco tempo funcionava a Comadeira). Embora Adjúlio não tivesse intenção clara de fundar uma cidade, visto que o serviço iria continuar e um novo acampamento surgiria, ele teve uma parcela importante neste processo, principalmente pela escolha do local.

A cidade mais próxima do local era Pium e por este motivo Adjúlio freqüentemente ia até lá para comprar alguns gêneros alimentícios e ferramentas para o acampamento. Numa dessas viagens ele conheceu José Torres e o convidou para instalar um comércio próximo do serviço da estrada e foi assim que em 28 de dezembro de 1958 chegaram os fundadores de Paraíso: José Ribeiro Torres, D.Regina Lopes Torres e filhos se estabeleceram num local onde hoje é a esquina da Av Bernardo Sayão com a Rua Santos Dumont(Restaurante Saches) e iniciaram a saga dos pioneiros deste município. Eles ergueram um barracão com paredes de taipa, piso de terra batida e coberto com palhas, onde funcionava a residência da família(nos fundos) e a Pensão Tocantins, que além de hospedaria, fornecia comida e havia também um bar.

Em 25 de fevereiro de 1959 chegaram, provenientes de Cristalândia, José Pereira Rêgo, D.Carolina Barbosa Rêgo e filhos, a segunda família a se estabelecer no nascente povoado. Aqui instalaram a Casa Rêgo, que comercializava armarinhos e gêneros alimentícios em geral. Em 10 de Abril de 1959 foi a vez de Ercílio Bezerra de Castro vir de mudança e instalar um comércio no ramo de tecidos. Sua família, que morava em Cristalândia, veio para cá algum tempo depois.

Também em 1959, atraídos pela possibilidade de “meios de vida”, vieram outras pessoas que se estabeleceram ao longo do desmatamento da estrada, num trecho compreendido entre os córregos Buriti e Pernada, onde rapidamente se formava uma linha de casas de um lado e de outro da picada. Algum tempo depois esta via ganhou o nome de Av Bernardo Sayão, também conhecida pela alcunha de “Federal” nos primeiros anos do povoado. Dentre estas pessoas que acreditaram em Paraíso citamos Antônio Castanheira da Silva, Joaquim Nonato Gomes Cardoso, Francisco José de Moraes, Arnaud de Souza Bezerra, Alano Correia, João Batista de Brito, Sebastião Gomes Cardoso, Firmino José Mendes da Silva, Maria Pereira da Silva(Mariona), Aniceta Pereira da Silva, José Ataíde de Souza, Jovelino Bezerra de Castro, Adalberto Ciqueira Barros, Antônio Paulino da Silva(Antônio Cearense), Petronílio Ribeiro da Silva(Baiano), Dourival de Araújo Silva(Lourinho), João Gomes da Silva, Manoel Dias de Souza, Isaac Soares Cavalcante, Sebastião Pires de Castro(Louro Pires), Francisco Veimar Ferreira Lima, José Alves de Brito(Zeca Brito), Manoel Lúcio de Carvalho, José Cunha de Araújo(Zezão Araújo), Renato Pereira Virgulino, Raimundo Nonato Medeiros, João da Silva Aguiar, Saturnino Gomes de Freitas, Alexandre Ribeiro da Silva, Rosa Alves Pereira, Procópio Vieira da Silva, Expedito Ferreira Lima, Antônio Longuinho da Silva, Hermínio Marinho, Terezinha Vilarins Siruge, Ana Maria Vilarins, Hugo de Souza, Nereu Gomes de Gouveia, Savagé Alves de Oliveira Santos, Euvaldo Biléu Dias de Souza, Adelino Francisco Silva, Amazila Maria da Conceição, José Luiz da Rocha(Zuza), José Ferreira Teles, Teodoro Barbosa Lima, Antônio Ferreira Teles Neto, Euclides Gomes, Leontino Francisco dos Reis, Geraldo Andrade, Tomaz Ribeiro Pinto, Olavo Ribeiro da Silva, Jaime Rodrigues Maranhão, Salomão Castelo Branco(Salomão Cigano), Salviana Bezerra da Luz, Maria Foquite, Geraldo Nunes Nogueira e respectivas famílias, entre outros.

Nos cinco anos seguintes muitas outras famílias se estabeleceram por aqui e dentre estas pessoas selecionamos algumas que se destacaram em atividades diversas: João Coelho de Azevedo, Pedro Cândido de Oliveira, Hermogino Francisco da Silva, Rita Barros Bezerra, Constantino Bezerra de Alencar, Ernesto Ribeiro Gama, Adauto Maciel Bastos, Eudete Ribeiro de Araújo, Luzina de Sousa Bezerra, Antônio Batista da Silva, José Nézio Ramos, Carlos Savagé Andrade Santos, Álvaro Moreira Milhomem, Sebastião Pereira da Silva(Sebastião Coletor), Maria Deusa Alves Moraes, Manoel Alves de Oliveira(Nego Vaqueiro), Tomaz Parente, Adalcy Gomes, Francisco Benício Lima(Chico Benício), Miguel Gonçalves Teixeira, Manoel Lúcio de Carvalho Filho, Antônio George Issa Haonat(Antônio Damião), Jacintho Pereira Netto, Magnólia Maciel Milhomem, Emília Acácio Luz, Mamed Bucar Sobrinho, José Gonçalves de Siqueira(Pastor Siqueira), Benedito Pereira Bandeira Sobrinho, Antônio Alencar Leão, Alípio Barbosa Neto, Benjamin Figueiredo Veras, Raimundo José de Moraes(Mundico Moraes), Carlos Pinto Milhomem, Paulo de Souza Milhomem(Paulo Sabino), Juarez Lobo Alencar, José Otávio de Almeida, José Gonçalves Veiga Sobrinho, Fredezindo Gonçalves Barbosa (Tutuzinho), Francisco Lobo Alencar(Chico Lobo), Antônio Martins Rocha(Bringel), Benedito Antônio da Silva Rondon, Maria de Jesus Martins Leite, Antônio Lôbo Alencar, Antônio Fernandes da Silva(Antônio Agrimensor), Miguel Martins Jorge, Luis Pereira Cabral, Carmem Maria Braga de Almeida, Cícero Lacerda Santiago, Zuleide Dias Pereira, José Maria Alves de Souza(Pompeu), José Joaquim de Santana(Zé Delfino), Antônio da Rocha Nogueira, José Flor da Silva, João Benício Mariz, Antônio Rego, Damião Bezerra da Silva, David Ferreira Andrade, Sebastiana Bezerra de Castro, José Alves de Oliveira(Zé Vaqueiro), Areolino Alves Reis, Abílio de Souza Galvão, Maria José Rodrigues Santos(D. Bezeca), Antônio Lino de Sousa, Clóvis Castanheira da Silva, Manoel Cândido de Oliveira(Neco Cândido), Francisco Lustosa, Luisinho Lustosa, Floriano Luis de Carvalho, Manoel dos Santos Brito, Ernesto Martins de Azevedo, Aquiles João da Silva, Alberto Siqueira Barros, Osmindo de Souza Parente, Amâncio José de Moraes, Tomaz Coêlho de Azevedo, Onofre José da Cruz(Tuna Cruz), Antônio José Cruz, Osmar Carrilho de Castro,respectivas famílias, além de vários outros.

Em 08 de Agosto de 1959 foi celebrada a primeira missa, através do Frei Dunstan Dooling(de Cristalândia), na Pensão Tocantins, onde aconteceu também a escolha do padroeiro, que ficou sendo São José Operário em homenagem ao fundador José Ribeiro Torres e aos operários que trabalhavam na construção da estrada. Neste ano o Professor João Aguiar, ajudado por Maria de Jesus, implantou uma pequena escola particular, que contava com apenas 12 alunos em fase de alfabetização. Apesar de não ser uma escola oficial, os pais dos alunos gostaram da iniciativa, visto que desta forma as crianças não ficariam paradas e poderiam aprender a ler e a escrever, além de representar uma ocupação para estes alunos.

Depois da primeira missa, os frades franciscanos da Prelazia de Cristalândia passaram a vir aqui com uma certa freqüência para dar assistência espiritual aos moradores. Em 1960 foi construída uma pequena igreja católica num local onde hoje se localiza o quintal da Casa Paroquial, numa área mais próxima da Rua Araguaia. Neste ano também os presbiterianos de Cristalândia, através do Sr. Silas Inácio Ramos, começaram o trabalho de evangelização em Paraíso e no final de 1960 construíram uma casa de orações, na esquina das ruas Tapajós e Amâncio de Moraes, onde atualmente existe um bar em frente à agência dos Correios.

O burburinho de gente no povoado de Paraíso era tão grande, que às vezes parecia um garimpo em disparada, tamanho era o movimento de pessoas chegando e se estabelecendo por aqui. No censo demográfico de 1960 foi registrado uma população de 1.500 habitantes(julho de 1960), com 220 casas construídas, 50 em construção, três pensões, quatro farmácias, três lojas de tecidos, dez casas que vendiam secos e molhados e diversos botecos(bares) pequenos. Pela análise destes números notamos claramente que o crescimento de Paraíso acontecia a uma taxa impressionante e assim o povoado prosperava e tomava ares de cidade.

Em 1961 Paraiso já precisava urgentemente de uma escola que pudesse suprir a grande demanda de jovens que crescia em ritmo acelerado e foi assim que Frei Inácio Smith e Madre Verônica Maria, ambos de Cristalândia, resolveram implantar uma escola reunida no povoado a partir de 1o. de março de 1961. Para isso convidaram as professoras Rita Barros Bezerra, Eudete Ribeiro de Araújo e Maria Deusa Alves Moraes, que passaram a dar aulas utilizando a pequena igreja católica, dividida por tecidos para formar as três salas de aula. No ano seguinte recebeu a denominação oficial de Escola Paroquial São José e continuou a ser conduzida por Madre Verônica até 02 de fevereiro de 1963, época em que chegaram os primeiros padres para residirem em Paraíso: Pe.Miguel Kirwan(primeiro vigário e diretor da escola), Pe.Jacó Duggan e Pe.Felipe Hearty. Ainda no âmbito da educação, no início de 1962 chegou por aqui o jovem missionário José Gonçalves de Siqueira, que veio implantar a Igreja Presbiteriana e logo sentiu a necessidade de fundar uma escola, que iniciou as atividades em março daquele ano.

Em 1961 outro fato importante para Paraíso foi a posse de José de Moraes(Zeca Moraes) como prefeito de Pium, visto que nesta época pertecíamos àquele município e algumas medidas tomadas pelo novo prefeito seriam de grande importância para a nossa história. Logo no início de sua administração, implantou o cadastro dos comerciantes e donos de imóveis no povoado; adquiriu um motor a diesel e instalou o primeiro sistema de energia e iluminação da Av Bernardo Sayão e Rua Tapajós, inaugurado em 17 de janeiro de 1962. No seu discurso durante a inauguração, Zeca prometeu ao povo que faria o possível para emancipar Paraíso, mas para isto acontecer era necessário que antes o mesmo fosse promovido à categoria de distrito e como naquele ano haveria eleições para vereador, ele sugeriu que o povoado lançasse candidatos à câmara municipal de Pium para reforçar a propositura.

Enquanto isto o povoado continuava com um crescimento acelerado, a ponto de em Julho de 1962 já possuir 2.600 habitantes e 500 casas espalhadas pela Av Bernardo Sayão e ruas próximas, além de um movimentado comércio.

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